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miércoles, 8 de enero de 2014

Fim de ano mexicano


A "piñata", o "nacimiento", as "posadas", os "reyes magos", as "pastorelas", a "cena de Navidad" e os "villancicos"  são apenas alguns dos costumes implantados no perído do vice-reino. Embora pertençam inteiramente à tradição cristã, adotaram características e elementos indígenas que permanecem até os dias de hoje.



Passei a noite de Natal numa família muito simpática e acolhedora, os Jiménez. Aparentemente a ceia de Natal é parecida à tradição que temos no Brasil, mas as comidas são um pouco diferentes e algumas particularidades marcam esse período.


Bom, a entrada foi um caldinho, logo o peru com seu acompanhamento (que também pode ser recheio) - carne moída com frutas secas - e purê de batatas e para beber rompope/refrigerante/água de jamaica (chamada de chá de hibisco no Brasil) etc.


LAS POSADAS

Uma representação do que passaram José e Maria para que lhes desse pousada e ela desse à luz ao menino Jesus.  Então um grupo vai caminhando de casa em casa cantando algo como: 
En el nombre del cielo, 
os pido posada...
Até que chegam à casa onde vai acontecer a festa e os aceitam, começando as "piñatas", 
comida, música, brincadeiras etc.  Poucas pessoas de fato fazem isso. O mais comum é que as pessoas façam festas em casa e convidem os amigos nos fins de semana de dezembro. 

A origem das "posadas" parece ser do convento de San Agustín de Acolman, onde os monjes agustinos aproveitavam a coincidência das festas cristãs e as dos ritos aztecas, que festejavam o nacimento de sua máxima divindade, o deus Huitzilopochtli. 

LAS PIÑATAS
Tem sua origem na China. Graças a Marco Polo o costume chega à Europa e na Nova Espanha (atual México) , na época colonial, são usadas como chamariz pelos frades franciscamos para atrair os indígenas às festas cristãs, especialmente as crianças.

São usadas em época de Natal e aniversários de crianças. 


Basicamente é um globo de isopor coberto com papel colorido e com 7 pontas - representam os 7 pecados capitais e quebrá-la simboliza aniquilar esses pecados e vencê-los - que as pessoas enchem de guloseimas. Os participantes são vendados e com um pau (geralmente adornado) tentam quebrar a piñata. Mas ela não fica estática, é presa a uma corda e nas duas extremidades tem uma pessoa que balança para dificultar um pouco. Na época de Natal, não só as crianças participam. 


Claro que eu não podia deixar de participar, né?! kkkkk

Enquanto alguém tenta quebrar a piñata, as crianças ficam atentas, porque se um pedaço se quebra e libera doces, elas correm pra pegar, parece um formigueiro. É bem engraçado e divertido. 

Olha eu aí vendada tacando o bastão na piñata!!!

REYES MAGOS
Aqui, na noite do dia 5 de janeiro se parte a Rosca de Reyes que é tomada com chocolate, café ou atole (bebida feita de maizena, tipo cremogema). Nessa noite, as crianças esperam seus tão esperados presentes, pois segundo a tradição local, não é Santa Claus  que os trazem, e sim os reis magos.Mas os pequenos fazem seu pedido de uma maneira especial. Clique aqui. 
No dia 6 de janeiro começou o período letivo nas escolas e
as crianças perguntam umas às outras o que cada um ganhou 
dos reis magos.


Os reis magos me trouxeram um livro lindo com todas as obras de Frida Kahlo.  

Gracias, Dani. :*

Bjoks.
Até a próxima.

Referências: 

miércoles, 6 de noviembre de 2013

Celebração da Morte

Panteón Mixquic
Nuestro culto a la muerte es culto a la vida, del mismo modo que el amor, que es hambre de vida, es anhelo de muerte. 
Octavio Paz

A celebração do Dia dos Mortos é praticada em toda a República Mexicana. Participam tanto as comunidades indígenas como grupos mestiços, urbanos e campesinos. É resultado da mestiçagem de indígenas e espanhois. Outros países latinos também compartilham essa festividade.   


O dia dos mortos é conhecido como a tradição mais representativa da cultura mexicana. A celebração ocorre em 2 dias: 1° - dedicado às almas infantis - e 2 de novembro - dedicado aos adultos.

Embora a tradição anglo-saxônica Halloween tenha influência na cultura mais atual, na maioria dos lares mexicanos a tradição perdura e se organizam oferendas muito particulares. Por exemplo, quando me dirigia ao Cemitério de Mixquic vi muitas crianças fantasiadas pedindo doces nas casas, comércios e aos transeuntes.

Uma parte dessa tradição implica visitar os cemitérios. Seja durante o dia ou durante a noite, as famílias se reúnem e colocam velas sobre as tumbas como uma forma de iluminar o caminho das almas em seu retorno pra casa. Muitos pernoitam nos cemitérios que ficam abertos 24 horas nessas datas. Outros contratam grupos musicais que interpretam as canções preferidas dos difuntos ao pé do sepulcro.



Os mexicanos percebem a morte de uma maneira muito peculiar. Eles zombam e se divertem com a morte. Um exemplo disso é a popular "Catrina": uma caveira vestida com diferentes adornos como amostra da presença da morte em tudo no cotidiano.



Como no Brasil, muita gente se aproveita do velório pra tomar umas tequilas. 



Outro aspecto interessante são as "calaveras" (caveiras) literárias; se trata de versos rimados que ironizam situações de personagens populares e impopulares usando o tema da morte com uma intenção humorística. A cada ano promove-se essa atividade cultural através de concursos (desde a infância, nas escolas) onde se premia a criatividade das composições.

Nas empresas os funcionários costumam fazer uma espécie de amigo secreto, mas com temática do dia de mortos e escrevem calaveras uns para os outros. Bem divertido!



As pessoas pagam pra bater foto com touros. 








Dá uma olhada nesse senhor atrás de mim. Tá certo, tem que usar os produtos q vende! kkkkkk
Concerto de Flauta do lado de fora do cemitério. 
Olha o tamanho dessa mulher!!! Ou sou eu q sou baixinha mesmo?? 
Cemitério lotado, cheiro  forte de incenso e flores e o rock troando em uma das tumbas. O pessoal quis homenagear o morto, mas passou dos limites do bom senso. A zuada tava insuportável! :S 








Ui, q medo essa pilha de osso ao fundo! De quem são???



Já q não tem cadeira nem conforto, as famílias se sentam nas tumbas alheias mesmo... 


Essa aí atrás é a Catrina!

No dia 31 de outubro, no Zócalo, foi realizado uma mega oferenda e era aberto ao público. Eram obras de arte alusivas à morte feitas por órgãos públicos e de algumas das 16 delegações que formam parte do DF.  



O que me chama a atenção é que a Igreja Católica não proíbe essa tradição, pelo contrário, incentiva bastante. É uma grande salada de paganismo, respeito, tradição, indígenas, espanhois e festa.  


Oferenda na porta do Palácio de Belas Artes
Havia uma multidão nesse dia transitando por todo o centro, especialmente na rua Madero, em direção ao Zócalo. 
Antes q eu fizesse cara de medo a foto me pegou de surpresa. Poxa!!! kkkkk







Até o cachorrinho entrou na festa. (rsrsrsrsrs)
Pão de morto
O pão de morto (pan de muerto) é indispensável nessa época. É um pão redondo (geralmente) coberto com açucar e de massa fofa, coberto de tirinhas que lembram ossos. Existem alguns que são feitos em forma de esqueleto ou de animais. É como o panetone no Brasil que só é vendido em época de Natal (se bem que agora se vende em qualquer época, né?). Eu passava o ano todo esperando chegar o Natal pra comer panetone...hehehehehe. Parece que os mexicanos esperam o ano todo também. E logo depois você não consegue mais comprar em lugar nenhum. :(

































Av. Álvaro Obregón - 30 de Outubro

Claro que não podia faltar a oferenda pra Frida Kahlo. Ela adorava fazer isso (embora fosse ateia)!

A crença popular é que as almas dos seres queridos retornam da ultratumba durante o Dia dos Mortos. Por esse motivo, as famílias armam altares com oferendas onde colocam a comida e bebida favoritas do finado, além de frutas, caveiras de açúcar e jogos para as crianças (anjinhos). Não faltam fotos dos difuntos e as coloridas flores de cempasúchil (laranja e que tem um cheiro forte e característico dessa época).   


Olha que legal, uma oferenda para Paulo Freire, grande pedagogo brasileiro. 
Alguns bares, quando não tem espaço em suas dependências põem as oferendas na calçada ou , nesse caso,  no canteiro. 

É comum que muitas empresas e instituições montem sua oferendas que podem ser em homenagem aos funcionários que já morreram ou simplesmente representativo. Esta, por exemplo, foi armada na escola onde dou aula. Hoje quando fui à Migração, havia uma enorme na recepção. Acho curioso o fato dos mexicanos misturarem o lado cultural e religioso com o espaço laboral.  



Bjoks. 

Referências: