miércoles, 6 de noviembre de 2013

Celebração da Morte

Panteón Mixquic
Nuestro culto a la muerte es culto a la vida, del mismo modo que el amor, que es hambre de vida, es anhelo de muerte. 
Octavio Paz

A celebração do Dia dos Mortos é praticada em toda a República Mexicana. Participam tanto as comunidades indígenas como grupos mestiços, urbanos e campesinos. É resultado da mestiçagem de indígenas e espanhois. Outros países latinos também compartilham essa festividade.   


O dia dos mortos é conhecido como a tradição mais representativa da cultura mexicana. A celebração ocorre em 2 dias: 1° - dedicado às almas infantis - e 2 de novembro - dedicado aos adultos.

Embora a tradição anglo-saxônica Halloween tenha influência na cultura mais atual, na maioria dos lares mexicanos a tradição perdura e se organizam oferendas muito particulares. Por exemplo, quando me dirigia ao Cemitério de Mixquic vi muitas crianças fantasiadas pedindo doces nas casas, comércios e aos transeuntes.

Uma parte dessa tradição implica visitar os cemitérios. Seja durante o dia ou durante a noite, as famílias se reúnem e colocam velas sobre as tumbas como uma forma de iluminar o caminho das almas em seu retorno pra casa. Muitos pernoitam nos cemitérios que ficam abertos 24 horas nessas datas. Outros contratam grupos musicais que interpretam as canções preferidas dos difuntos ao pé do sepulcro.



Os mexicanos percebem a morte de uma maneira muito peculiar. Eles zombam e se divertem com a morte. Um exemplo disso é a popular "Catrina": uma caveira vestida com diferentes adornos como amostra da presença da morte em tudo no cotidiano.



Como no Brasil, muita gente se aproveita do velório pra tomar umas tequilas. 



Outro aspecto interessante são as "calaveras" (caveiras) literárias; se trata de versos rimados que ironizam situações de personagens populares e impopulares usando o tema da morte com uma intenção humorística. A cada ano promove-se essa atividade cultural através de concursos (desde a infância, nas escolas) onde se premia a criatividade das composições.

Nas empresas os funcionários costumam fazer uma espécie de amigo secreto, mas com temática do dia de mortos e escrevem calaveras uns para os outros. Bem divertido!



As pessoas pagam pra bater foto com touros. 








Dá uma olhada nesse senhor atrás de mim. Tá certo, tem que usar os produtos q vende! kkkkkk
Concerto de Flauta do lado de fora do cemitério. 
Olha o tamanho dessa mulher!!! Ou sou eu q sou baixinha mesmo?? 
Cemitério lotado, cheiro  forte de incenso e flores e o rock troando em uma das tumbas. O pessoal quis homenagear o morto, mas passou dos limites do bom senso. A zuada tava insuportável! :S 








Ui, q medo essa pilha de osso ao fundo! De quem são???



Já q não tem cadeira nem conforto, as famílias se sentam nas tumbas alheias mesmo... 


Essa aí atrás é a Catrina!

No dia 31 de outubro, no Zócalo, foi realizado uma mega oferenda e era aberto ao público. Eram obras de arte alusivas à morte feitas por órgãos públicos e de algumas das 16 delegações que formam parte do DF.  



O que me chama a atenção é que a Igreja Católica não proíbe essa tradição, pelo contrário, incentiva bastante. É uma grande salada de paganismo, respeito, tradição, indígenas, espanhois e festa.  


Oferenda na porta do Palácio de Belas Artes
Havia uma multidão nesse dia transitando por todo o centro, especialmente na rua Madero, em direção ao Zócalo. 
Antes q eu fizesse cara de medo a foto me pegou de surpresa. Poxa!!! kkkkk







Até o cachorrinho entrou na festa. (rsrsrsrsrs)
Pão de morto
O pão de morto (pan de muerto) é indispensável nessa época. É um pão redondo (geralmente) coberto com açucar e de massa fofa, coberto de tirinhas que lembram ossos. Existem alguns que são feitos em forma de esqueleto ou de animais. É como o panetone no Brasil que só é vendido em época de Natal (se bem que agora se vende em qualquer época, né?). Eu passava o ano todo esperando chegar o Natal pra comer panetone...hehehehehe. Parece que os mexicanos esperam o ano todo também. E logo depois você não consegue mais comprar em lugar nenhum. :(

































Av. Álvaro Obregón - 30 de Outubro

Claro que não podia faltar a oferenda pra Frida Kahlo. Ela adorava fazer isso (embora fosse ateia)!

A crença popular é que as almas dos seres queridos retornam da ultratumba durante o Dia dos Mortos. Por esse motivo, as famílias armam altares com oferendas onde colocam a comida e bebida favoritas do finado, além de frutas, caveiras de açúcar e jogos para as crianças (anjinhos). Não faltam fotos dos difuntos e as coloridas flores de cempasúchil (laranja e que tem um cheiro forte e característico dessa época).   


Olha que legal, uma oferenda para Paulo Freire, grande pedagogo brasileiro. 
Alguns bares, quando não tem espaço em suas dependências põem as oferendas na calçada ou , nesse caso,  no canteiro. 

É comum que muitas empresas e instituições montem sua oferendas que podem ser em homenagem aos funcionários que já morreram ou simplesmente representativo. Esta, por exemplo, foi armada na escola onde dou aula. Hoje quando fui à Migração, havia uma enorme na recepção. Acho curioso o fato dos mexicanos misturarem o lado cultural e religioso com o espaço laboral.  



Bjoks. 

Referências:

sábado, 12 de octubre de 2013

16/set - Independência do México

mural_independencia_mexico / Museo Histórico de Acapulco, Fuerte San Diego
                                                                   Foto: Museo Histórico de Acapulco, Fuerte San Diego

Em 1810, na madrugada do dia 16 de setembro o padre Miguel Hidalgo dá o famoso Grito de Dolores (na cidade de Dolores Hidalgo), convocando o povo a libertar-se do jugo espanhol que durou quase 3 séculos. Essa guerra armada e social só teve fim em 27 de setembro de 1821 quando o exército insurgente liberta-se do virreinato espanhol. 

O mês de setembro é o mês de comemoração da independência, por isso os ônibus carregam a bandeira mexicano, assim como os edifícios e carros. A população do DF usa as cores da bandeira em sua roupa e tradicionalmente comem "Pozole" e "Chile en Nogada". O último porque tem as cores da bandeira. É um pimentão recheado e servido com um molho branco (feito de nozes) e semestes de romã cubrindo tudo.

No sábado (16) jantei pozole com uma família mexicana e assistimos pela TV a transmissão do Grito oficial feito pelo presidente Enrique Peña Nieto diante de uma multidão no Zócalo da cidade. Nas famílias mais tradicionais, já notei que todos se sentam enquanto a matriarca ou quem cozinhou a comida os serve. O pozole é como um caldo de grão de bico, adicionado de alface finamente cortado, cebola picada, rabanete e muita, muita pimenta...hehehehehe. Existe pozole vermelho, verde ou com mole - molho feito de chocolate com pimenta - todos picantes. É uma delícia!!!  

Com as cores da bandeira mexicana!!

Pozole
Sobremesa:
Gelatina com as cores da bandeira e recheio de pêssego.
Delícia pura!!!
Chile en nogada, prato típico dessa época!





























Xero!!!

Luta Livre Mexicana

o wrestling mexicano é bem parecido com a forma de luta que o inspirou: a luta livre profissional americana. Ambos são cheios de personagens coloridos e histórias excêntricas, além das regras das duas serem muito flexíveis e observadas de longe pelos juízes.



Faz quase um mês que não escrevo no blog. Para demonstrar minha boa fé em mantê-los informados sobre como ando por aqui, preparei uma "matéria" completa sobre Luta Livre Mexicana. Fui ao aniversário de 80 anos da Arena México assistir lutas especiais. Muito Legal!!!





O wrestling mexicano é bem parecido com a forma de luta que o inspirou: a luta livre profissional americana. Ambos são cheios de personagens coloridos e histórias excêntricas, além das regras das duas serem muito flexíveis e observadas de longe pelos juízes.

Assim como com a luta livre americana, as pessoas costumam dizer que a versão mexicana é "uma fraude". Em alguns aspectos, isso é verdade. Os vencedores da maioria das disputas são pré-determinados, para que tudo siga tramas planejadas parecidas com novelas. Os lutadores geralmente estão representando um papel, eles não se odeiam na vida real.
O que melhor diferencia a "lucha libre" da luta livre americana é que quase todo grande lutador de wrestling mexicano usa uma máscara e tem um nome artístico. A identidade real do lutador é mantida em segredo. Na verdade, é uma afronta para um lutador mexicano ter sua máscara retirada ou ser visto sem ela. Em algumas lutas especiais e raras, o perdedor é desmascarado, algo muito dramático para os fãs.
Alguns luchadores (os lutadores do wrestling mexicano) levam a identidade que usam na luta para fora do ringue, usando a máscara quando estão em público. Algumas famílias transmitem as identidades usadas nos ringues por várias gerações, como um filho herdando o mesmo nome e máscara de seu pai.
A "lucha libre" é caracterizada por vários movimentos aéreos, manobras acrobáticas e combinações complicadas desses movimentos, umas após as outras, em uma rápida seqüência. Os "luchadores" costumam ser menores, mais rápidos e mais ágeis do que os americanos.
Os lutadores populares sempre são heróis admirados pelos fãs. Eles podem representar guerreiros astecas, santos cristãos ou super-heróis de quadrinhos, mas sempre lutam pelas pessoas comuns: trabalhadores, fazendeiros e os pobres.
O estilo de luta da "lucha libre" não se restringe ao México. Além das estrelas mexicanas que fizeram sua fama (e a do México também) na luta livre americana, a luta livre japonesa foi muito influenciada pela "lucha libre". Estrelas mascaradas como Último Dragão e Máscara de Tigre levaram a tradição mexicana de usar máscaras a um novo nível, criando super-heróis elaborados com máscaras cuidadosamente esculpidas e que incluem barbatanas, chifres, enchimentos e outros adornos.
O personagem de Jack Black em "Nacho Libre" é imobilizado no chão. 
A "lucha libre" começou na década de 30, quando Don Salvador Lutteroth Gonzales, também chamado de Pai da Lucha Libre, começou a primeira liga de wrestling mexicano, a Empresa Mexicana de Lucha Libre (EMLL). Sua inspiração foram as lutas que ele viu no Texas. 
Telecatch foi um programa de televisão criado na extinta TV Excelsior do Rio Canal 2, dedicado à exibição de combates de luta-livreque combinavam encenação teatralcombate e circo. Com a extinção do Palácio de Alumínio (uma cúpula de alumínio dedicada à exibição de combates corpo a corpo), um dos protagonistas da rede de lojas Imperatriz das Sedas (cuja sede era vizinha ao palácio montado no terreno do extinto tesouro nacional - doado aos comerciários) e um dos sócios da empresa, "Sr Rafick", resolveu promover um programa de lutas livres (via televisão) e cuja modalidade era o Tele-catch. Durante os anos 60 alcançou o auge do sucesso, criando vários heróis, como Ted Boy Marino.
Inicialmente chamado Telecatch Vulcan devido a uma ligação com a casa da borracha dos Cassini (Esportes Náuticos) e Imperatriz das Sedas (dos sócios César Murane e Rafick), a TV Excelsior televisou dos anos de 1965 a 1966. Devido a outro patrocinador, posteriormente passou a ser denominado Telecatch Montilla (TV Globo - 1967 a 1969) e finalmente como Os Reis do Ringue (TV Record) nos anos 70.
Por razões de economia a rede de lojas Imperatriz das Sedas (a principal patrocinadora) e empresas associadas resolveram não mais financiar o Telecatch.

Então, pra nós, no Brasil, a visão da luta livre é de que é uma brincadeira, por isso quando cheguei à Arena México me surpreendi com as pessoas torcendo pelos lutadores. Eu pensava: mas será que eles não sabem que é tudo combinado e coreografado, meu Deus? Vão famílias, quando eu pensava que só havia homens lá. Maridos, esposas e seus filhos torcendo juntos! É uma experiência incrível! Especialmente quando há combate de perda de máscara e o público fica super emocionado e grita junto. Até eu fiquei sofrendo por alguns personagens que gostei... hihihihihihi. 



Comendo nachos...hehehehehe









O gordinho esmagando o oponente..kkkkkkkk