jueves, 27 de marzo de 2014

De Vulcões, pirâmides e igrejas - Puebla

Advinha de quem são esses pés? 
                         Puebla, a capital de Puebla

Essa viagem foi especial em diferentes aspectos. Pela primeira vez me hospedei num albergue (pode parecer matutice para alguns, mas achei bem bacana a experiência), uma viagem sem reservas antecipadas em hotel, conhecendo a cidade a pé e descobrindo o que tinha de interessante para explorar. A única coisa que fiz antecipadamente foi pesquisar fotos e lugares mais importantes historicamente, fiz uma listinha, arrumei minha mochila (eu juro que dessa vez levei só isso) e partimos para a capital do estado de Puebla, Puebla. 




Fila pra pegar táxi na saída da 
rodoviária. O.o
Infelizmente, nem todos os táxis são seguros no México. Existem táxis piratas (não permitidos) - recentemente soube de um caso em que a passageira e o motorista foram "assaltados", mas na verdade, o taxista fazia parte da gangue, roubaram a carteira com dinheiro e documentos da passageira e a ameaçaram de ir atrás dela caso ela os denunciasse à policia - , mas como os táxis piratas são parecidos aos cadastrados, é preciso tomar muito cuidado em tomar um táxi na rua. Geralmente, as pessoas que pegam táxi com mais frequência tem seu taxista de confiança ou ligam sempre pra base. Táxi no México é muuuuito barato. A bandeirada custa uns 3 reais e dá pra pagar o táxi com moedas, na maioria das vezes. 


Como é fim de inverno já não faz frio, só se sente um vento fresco pela manhã e à noite. Pensei que o sotaque das pessoas nessa região seria diferente ao da capital, mas observei que é bem parecido. A capital, Puebla, é uma cidade grande com shopping, muitas igrejas, museus, fortes, zócalo (praça principal) e uma gastronomia de encher os olhos: tacos árabes, cemitas, o famoso mole poblano e outras delícias. A comida é muito barata, fiquei impressionada em comer tanta comida numa fonda (pequeno restaurante de comida regional) por apenas 35 pesos (aprox. 6 reais). 

E o consomé de pollo? 
Ups, tomei...^.^ 

   
Puebla tem importância histórica no país devido à Batalha de 5 de maio de 1862 contra a invasão francesa. Por isso, os fortes de Loreto e de Guadalupe são lugares obrigatórios de visita à capital poblana. 
Aproveitei pra conhecer a cidade de Turibus, facilita o passeio pela cidade e também há explicação histórica durante a viagem de 1 hora pela capital poblana. 








A caminho dos fortes...subindo a ladeira
Campinho a caminho dos fortes.
Monumento em homenagem à Batalha de 5 de Maio.

Monumento em homenagem aos
heróis da Batalha de 5 de maio. 
Essa é a área dos fortes. Há um planetário (pirâmide), 
Centro de Convenções, Centro Cultural, 
Museu Interativo da Batalha e os Fortes.
Forte de Loreto
Planetário

Visão desde os fortes, que estão no alto da cidade. 
Área de lazer em frente ao Forte de Loreto. 
Callejón de los sapos. Feira de antiguidades e artesanato
Igreja que foi transformada em convento
e hoje é um hotel. 
Marco zero da cidade
Igreja de Santo Domingo

Catedral de Puebla
Palácio Municipal
Google maps poblano! hehehe
Outra igreja... Sao tantas que nem sei o nome
Ao fundo, vulcão Popocatepetl, que está numa cidade vizinha. 

Ao lado do vulcão Popocatepetl está o Iztaccihuatl. E reza a lenda que quando o Império Azteca estava em seu auge e dominava o vale do México, tinha o costume de submeter povos vizinhos, exigindo-lhes um tributo obrigatório. Até que o cacique dos Tlaxcaltecas, inimigos dos Aztecas, cansado dessa terrível opressão decidiu lutar pela liberdade de seu povo. O cacique tinha uma filha, Iztaccíhuatl, era a mulher mais bela entre as jovens do povoado e depositou seu amor no jovem guerreiro Popocatépetl, um dos mais fortes de seu povo. Estavam muito apaixonados e, antes de partir para a guerra, o jovem pediu ao cacique a mão da princesa. O líder aceitou com muita alegria e prometeu recebê-lo com uma grande festa para dar-lhe a mão de sua filha se Popo voltasse vitorioso da batalha. O valente guerreiro aceitou, preparou-se para partir e guardou a promessa de que a princesa o esperaria para que consumassem seu amor. 

Pouco tempo depois, um rival do guerreiro com inveja do amor dos jovens disse à princesa que seu amado havia morrido durante o combate. Abatida pela trsiteza e sem saber que tudo não passava de mentira, a princesa morreu. Popocatépetl voltou vitorioso ao seu povoado dias depois com a esperança de ver sua amada. E quando chegou recebeu a terrível notícia do falecimento da princesa. Entristecido com a notícia, vagou pelas ruas por vários dias e noites, até que decidiu fazer algo para honrar seu amor e que a memória da princesa permanecesse viva nos povos. 

Ele então mandou construir uma grande tumba diante do sol, amontoando 10 elevações de terra para formar uma enorme montanha. Tomou em seus bracos o corpo da princesa, o levou até o cume e o encostou inerte sobre a grande montanha. O jovem guerreiro lhe deu um beijo póstumo, pegou uma tocha fumegante e se ajoelhou diante de sua amada, para velar assim, seu sonho eterno. Desde aquele dia permanecem juntos, um de frente para o outro. Com o tempo, a neve cobriu seus corpos, que se transformaram em dois enormes vulcões que permanecerão até o fim do mundo. 

Aqui também está o menor vulcao do mundo, o Cuexcomate, formado de uma lava do Popocatepetl quando entrou em erupção em 1064.  Uma pena não ter sabido da existência dele durante a viagem, só soube depois...snif snif
Vale a pena ver o vídeo sobre esse vulcãozinho! hehehe



A lendária Cholula

Igreja de N. S. de los Remedios, padroeira da cidade e atrás o vulcão Popocatepetl a 60km da capital mexicana. 
Segundo o conquistador espanhol Hernán Cortés, Cholula poderia ter tantas igrejas como dias no ano, daí surgiu o rumor de que a cidade poblana teria 365 igrejas, mas na verdade foram contabilizadas entre 130 e 150 igrejas por historiadores. 
"El Popo" sempre soltando fumaça. Ativo desde os anos 90.  

Achei curioso o fato de nem mesmo os guias saberem quem construiu as pirâmides, ou seja, até hoje é uma incógnita quem foi o povo pré-hispânico que fez tuneis dentro da pirâmide principal e a encobriu - a pirâmide foi confundida com um monte qualquer pelos espanhóis. Quem bom, senão os benditos espanhóis teriam destruído essa herança cultural também, como fizeram com o povo cholulteca. 

Minidocumentário

No interior da pirâmide principal há 8 km
de túneis, porém somente 300 m pode ser
explorado pelos visitantes. 
A Malinche ou Malintzin - índia que foi ofertada a Hernán Cortés, sua amante e tradutora, teve papel decisivo na conquista do que hoje se conhece como México - contou ao conquistador espanhol que o povo de Cholula tramava uma emboscada para os espanhóis. Cortés chegou com seu exército e aliados (Exército de Tlaxcala, inimigos dos cholultecas) estes últimos foram deixados em acampamentos fora da cidade a pedidos dos governantes cholultecas, e por estarem acampados fora da cidade, viram armas nos telhados das casas encobertas por folhas, demonstrando que os cholultecas planejavam lutar contra os espanhois, além disso presenciaram rituais de sacrifícios, constatando assim os planos de batalha dos habitantes de Cholula. 

Os governantes de Cholula ofereceram presentes a Hernán Cortés para disfarçar sua intenção de expulsar os espanhóis dali, mas em poucos dias na cidade, os espanhóis e seus aliados realizaram um massacre conhecido como Matanza de Cholula em 1519, onde mataram cerca de 60.000 mil pessoas (número controverso), a maioria civis desarmados (entre homens, mulheres, crianças e idosos) e saquearam ouro, algodão e sal da cidade e levaram a muitos como escravos. Conta-se que escorria sangue pelas ruas da cidade. Os poucos governantes sobreviventes fizeram um acordo de paz com Cortés para evitar a destruição total da cidade. Segundo Cortés, em sua carta ao Rei espanhol Carlos I, o número de mortos foi de aproximadamente 3.500 pessoas. Se quando chegou à cidade ele relata que avistou uma grande cidade com cerca de 20 mil casas e matou a maioria da população se supõe que ou ele não era bom de contas ou não quis revelar o valor real de pessoas que matou naquele sangrento dia.   
Pirâmide encoberta e acima a Igreja dos Remédios

Si matas a un hombre eres un asesino,

Si matas a millones eres un conquistador,
Si los matas a todos, te crees un dios.
Jean Rostand.



A cidade é muito tranquila e receptiva. Estive pouco tempo, mas gostei muito da culinária local, de ver o movimento de pessoas no Zócalo (praça) à noite, da importância e conservação do patrimônio histórico e cultural, herança indígena e espanhola.

  
Preparação pra subir as pirâmides e encarar o túnel!!! hehe

Dentro do túnel 
Os arqueólogos inda estão descobrindo novos túneis...


Empedrado feito pelo povo pré-hispânico desconhecido. 
Esse monte, onde está a igreja, na verdade é uma pirâmide. Olha q esse povo soube esconder muito bem esse tesouro arqueológico. 
Lugar de sacrifícios. Aí foram encontrados esqueletos de 3 mulheres. 
Muita busca e muitas descobertas. Eita povo enigmático, esses pré-hispânicos. 


Essa pirâmide está quase nas costas de outra. Essa diz-se que é tolteca. E dá pra notar um padrão diferente na arquitetura e também perceber a diferença de época. Ela foi parcialmente destruída, mas foi feita uma restauração por arqueólogos para mantê-la de pé. 
Visão da cidade encima da pirâmide tolteca. 
Embora os Voladores de Papantla seja um espetáculo de Veracruz, em vários lugares, outros corajosos apresentam esse impressionante espetáculo. 
https://www.youtube.com/watch?v=lo_8gJS1U8M


No topo da pirâmide.
Morta de cansada. Não sei se é a subida ou 
a descida o que cansa mais. 
Iglesia de N. S. de los Remedios
E a subida é beeeem extensa. 
Isso aí é quando chegamos no topo da pirâmide,
mais ainda faltam escadas para subir até a igreja. 
Bom, depois de subir pirâmide, entrar em túnel, visitar um zilhão de igrejas, do constante medo de que o vulcão entrasse em erupção (tem dias q ele solta muita fumaça), comer muito bem, visitar as feirinhas de artesanato e antiguidades, só tenho a dizer que foi uma experiência muito linda, cultural e historicamente rica e o povo é super amável e educado. Ruas limpíssimas, pessoas discretas, muito verde bem conservado. 

Valeu muito a pena distanciar-se 3 horinhas do DF pra curtir esse lugar tao agradável. O pior (ou melhor) é que cada vez que viajo, mais quero conhecer lugares novos pelo México e pela Am. Latina. 


Espero que tenham gostado! :D


Bjoks, 

Até a próxima.    



Referências:

http://www.mexicodesconocido.com.mx/30-cosas-que-hacer-en-la-ciudad-de-puebla.html
http://www.inep.org/Efemerides/10/16101519.html
http://www.inside-mexico.com/legends/volcanesesp.htm





viernes, 14 de marzo de 2014

Cortina à moda nordestina

Numa noite pensando no que fazer pra dar mais vida à minha morada no México, tive a ideia de fazer uma cortina à moda interior nordestino, com chita, pra dar um toque mais acolhedor.  

Antes de começar é preciso medir a entrada, janela ou passagem onde você pretende colocar a cortina pra ter certeza de comprar a quantidade adequada de tecido. 

Acompanhe os passos: 
Material: 
Cola, tesoura grande (de preferencia para tecido), 2 m de tecido (cada peca), tachinhas (ou pregos) e uma base de papelão.

Sugiro estender o tecido no chão e ir cortando reto (o máximo que conseguir) até formar várias tirinhas de mais ou menos 3 dedos. A base pode ser de papelão ou madeira. É importante fixar bem as tirinhas na base e fixar bem a base na parede. De preferência de uma maneira que não se veja a base.

Lembre-se que as pessoas vão passar por essa porta muitas vezes e podem arrastar a cortina sem querer. Por isso, é necessário que ela esteja bem fixada na base e na parede.


Eu colei as tiras de tecido na base de papelão. 
Como eu não tinha pregos, fixei a base com tachinhas. Usei martelo.  
Isso é o que se vê dentro da cozinha. 
E esse é o resultado!


Gostou? Comente e recomende aos amigos!

Bjoks. ;)

martes, 4 de febrero de 2014

Palácio de Belas Artes


Eu já tinha batido foto dessa fachada diversas vezes, mas nunca tinha visto uma exposição ou acompanhado um guia num tour pela arquitetura desse monumento emblemático da capital mexicana. No domingo, 19 de janeiro, fui com uma galerinha bem bacana (brasileiros, mexicanos e uma peruana) ao Palacio de Bellas Artes para finalmente conhecer sua história e importância arquitetônica e política.  


O Palacio de Bellas Artes foi encomendado pelo presidente Porfirio Díaz para celebrar o centenário da Independência do México. Hoje, depois do bicentenário, é um símbolo, um verdadeiro monumento de perfeição y beleza de Independência y Liberdade.

O inicio da construção foi el 2 de Abril de 1904. A construção foi suspensa y retomada várias vezes durante 30 anos. O Palácio foi finalmente inaugurado em 29 de setembro de 1934, com a exibição de La verdad sospechosa de Juan Ruiz de Alarcón, pelo então presidente do México Abelardo L. Rodríguez.

O projeto de construção e design ficou a cargo do arquiteto italiano Adamo Boari. As mudanças de estilo ocorreram devido ao longo tempo de construção. Foi inicialmente projetado para ser um edifício neorrenacentista com una importante influência da art nouveau, terminou como um edifício com elementos art déco y figuras alusivas à arte pre hispânica, próprias do nacionalismo que dominou a cultura mexicana até os anos 60 do século XX. 

É interessante observar os elementos escondidos, que um visitante (e até mesmo os próprios mexicanos que passam em frente diariamente) não nota. Figuras gregas na fachada, que tem significados particulares... Dentro tudo tem uma razão de ser: a disposição do piso, os vitrais, as cores do mármore da fachada (branco) e do mármore do interior (amarronzado), o que demonstra uma mudança drástica de escola artística e de arquiteto responsável pela obra, nota-se claramente que foi realizada por pessoas e épocas diferentes. 

El Palacio de Bellas Artes a mediados del siglo XX. Vista general.
Foto: José Verde Oriva. AFMT, IIE-UNAM.
O palácio tem 52 m de altura e conta com obras dos muralistas mexicanos mais destacados: David Alfaro Siqueiros, Diego Rivera, José Clemente Orozco e tem 4 andares dedicados às Belas Artes, mais um andar subterrâneo de estacionamento. Uma das salas del Palacio de Bellas Artes que mais se destaca tem capacidade para 2257 personas e o cenário, 24 metros de largura. 

Atualmente o Palacio de Bellas Artes é considerado o Teatro Lírico mais relevante da República Mexicana e o Centro de Belas Artes do México, em todas suas expressões e estilos. Além de ter sido declarado Monumento Artístico em 1987 pela UNESCO.

Por decreto de Álvaro Obregón, o Teatro Nacional ampliou suas expectativas e pode-se dizer que abriu a possibilidade de se tornar o atual Palacio de Bellas Artes, com museu, biblioteca, salões de conferências etc. 
Interior de la Sala de Espectáculos del Palacio de Bellas Artes a mediados del siglo XX. Vista hacia el escenario con la cortina roja hoy convertida en cojines. Foto: José Verde Oriva. Archivo Fotográfico “Manuel Toussaint” (AFMT), Instituto de Investigaciones Estéticas, UNAM (IIE-UNAM).














Um dado preocupante é que o prédio está afundando mais rápido que o resto da cidade (1 cm por ano), e isso se pode observar desde 1907, hoje está vários metros abaixo do nível da rua. É provável que isso se dê pelo peso do edifício (estrutura de ferro e mármore dentro e fora). No entanto, apesar de um terremoto (o mais catastrófico em 85) e um centenário permanece em estado perfeito. 

O Palacio de Bellas Artes é a sede do Museu Nacional de Arquitetura, assim como o Museu Nacional do Palacio de Bellas Artes.


Maquete do Palácio




Mármore do interior
Uma das cúpulas.
O Palacio de Bellas Artes de México 
conta com várias salas de exposições 
permanentes e temporais,
como a da artista franco-americana Louise Bourgeois. 

Essa francesa que se naturalizou estadunidense tem uma obra bastante complexa e expressiva. Basicamente, ela retrata seus traumas e medos em seus quadros e esculturas.

Na figura ao lado, as esculturas retratam seu medo de gerar filhos. Bourgeois acreditava que na vida todos estamos sozinhos e que não era capaz de dar amor à uma criança porque havia perdido sua mãe ainda muito nova (perdeu a mãe aos 28 anos), segundo ela. Só para constar, ele teve 3 filhos. Aí você me pergunta: "Como uma pessoa que tinha medo de gerar de filhos pariu 3?". Fiz essa pergunta ao guia e ele me disse que só ela poderia responder isso. O último filho ela manteve na barriga por mais tempo que o devido e o menino nasceu com uma leve retardo, quase um altismo. Ele culpava a mãe por sua situação e era bastante infeliz, como ela retrata nessa escultura. Deitado na cama e a pessoa no canto direito da foto inferior está seu filho sofrendo pelas consequências do ato egoísta de sua mãe. Ela o manteve porque, segundo ela, somente nessa fase da vida não estamos sozinhos, somos parte de alguém, nossa mãe. 

 

 Bourgeois se sentia muito aprisionada e solitária embora tenha se casado e tenha tido 3 filhos. Na figura à esquerda ela representa a si mesma como uma aranha que tece (muitas de suas esculturas são feitas com tecido), mas que acaba se mesclando com o tecido da própria poltrona. Nota-se um ar de depressão e desencantamento pela vida. Embora sua obra seja marcante, ao mesmo tempo entristece o espectador pela sucessão de situações ruins na vida da artista francesa. Saí da exposição feliz porque não sou um gênio. Acho que os ignorantes são os mais felizes!!!!

A obra de Bourgeois foi marcada pela Psicanálise. 
Foi um domingo de reflexão e gratidão a Deus porque nao sou infeliz como essa pobre mulher foi.
Bjoks e até a próxima. 


Referências: 
http://www.esteticas.unam.mx/revista_imagenes/inmediato/inm_fernandez01.html
http://bellasartes.tv/HISTORIA.html








miércoles, 8 de enero de 2014

Coisas do meu Brasil...do meu CEARÁ, melhor dizendo!

Por termos perspectivas moldadas pela sociedade em que vivemos, pensamos que certas atitudes e costumes são universais e só notamos o real valor de algumas coisas quando não estamos em nossa terra natal. 

Coisas como comer arroz com feijão (não tinha noção da falta q isso ia me fazer), arroz branco, à grega, quentinho e mole (pq aqui é duro e frito, na maioria das vezes), do macarrrão vermelhinho (pelo menos com cor), pão no café da manha e ver a manteiga derretendo devido ao calor do pão recém saído da padaria (isso é delicioso), açaí (amooooo!), tapioca, bolo mole, suco de frutas (aqui eles chamam de água de sabor, é mais ou menos isso, mas acho que a quantidade de água para a quantidade de fruta é um pouco desproporcional, daí resulta numa água turva) - quando vc cresce acostumado com suco de manga grosso, que vc sente que tá praticamente a manga pura com um pouco de água, uma limonada com bastante limão, uma laranjada forte (em alguns casos sem água só o sumo - no Brasil), a água de sabor fica parecendo que a pessoa não tinha fruta suficiente pra fazer o suco ou é pão dura (kkkkkkkk), sinto falta de guaraná, cajuína, doce de caju, suco de caju, de ver o por de sol na ponte metálica, de cantar ao som de um violão, de cantar na igreja, de reuniões de oração, de orar no meu quarto com a minha mãe, de deitar na cama com meus pais e minha irmã pra ver um filme, do cheiro da minha casa, de abraçar minha avó, dos meus livros, do cheiro de terra molhada depois que chove, sobretudo numa viagem de carro (aqui chove muito mais...hehehehehehe, mas o cheiro não é o mesmo), do meu perfume preferido: Galbe, de visitar minha vó gaúcha e comer feijoada na casa dela, bolo de banana com canela, pizza de banana com canela, de rir da desgraça alheia (no bom sentido, claro, das presepadas que via na rua), de assistir o Programa do Jô (ele é um soberbo, mas suas entrevistam geralmente me interessam), deitar numa rede, especialmente na praia. 

Sinto falta de igrejas evangélicas em todos os lados, escutar gente ouvindo música evangélica nos seus carros na rua, ouvir cearês, ouvir meus amigos e meu pai contando piadas (hehehehehehe), não agradecer tanto, não pagar gorjeta pro empacotador do supermercado, garçom, entregador de pizza ou qualquer outra pessoa que preste qualquer serviço simples (infelizmente muitos patrões não pagam um salário a esses profissionais e deixam ao cliente essa responsabilidade), não me vestir tão formalmente (algumas vezes), por incrível que pareça, sinto falta do calor de vez em quando (principalmente quando tô sem saco pra me arrumar e só quero botar uma camiseta, um short e tênis), e sobretudo, mais que tudo, SINTO MUITA FALTA DO MAR!!!! 

Pra mim, o mar é a síntese do poder, majestade e misericórdia de Deus. Numa obra tão singela da natureza, vejo a onipotência de um Deus capaz de conter um volume enorme de água num só lugar. Acho lindo, mas temo (tanto que nao sei nadar, é uma vergonha, eu sei, principalmente tendo uma mãe ex-nadadora e uma irma que competia tbm, mas tenho bons motivos: me afoguei 2 vezes na praia. Mas numa piscina não morro afogada, tá?!). Bem voltemos ao mar..... o mar é imprevisível e pode ser bastante perigoso. Quando vejo o mar sinto paz, sei que Deus está perto de mim, que Ele me ama, por isso aqui no México tive que escolher um lugar que eu chamo de minha praia. Um lugar igualmente obra das mãos de Deus e que tem uma cor que eu também gosto muito, verde.  









Faltando dois meses pra eu ver minha terra, abraçar os amigos e dar um cheiro na família, pensei em fazer uma lista de coisas do que preciso trazer pro México, coisas que só encontro no Brasil. 

1. Bandeira do Brasil, na verdade uma canga estaria bem, é mais útil...hehehehehe
2. Azeite de dendê,pra fazer vatapá (Ainda nao sei fazer, mas a graça é aprender)
3. Salgadinhos, vulgo, xilitos: pipoca Luiza, xilito de 0,10 de pizza (tomara que ainda seja esse preço), fandangos, baconzitos...
3. Requeijão (oh saudade)
4. Uma foto atualizada da minha família (comigo presente, claro)
5. Meus cadernos e agendas com meus poemas (tô pensando em postá-los na net. Talvez ninguém se interesse, mas tô com vontade, n importa!)
6. Alguns livros de estimação
7. Recadinhos e fotos das pessoas q mais amo (pra fazer um painel no meu quarto e senti-los mais perto)

É, tem coisas aí que não são tao específicas do Brasil, mais do meu mundo pessoal. Mas, continuando com a lista:
8. Meu perfume favorito: Galbe (tô aceitando presentes)
9. Vestidinhos do mercado central
10. Um kit de cearês arretado: paçoca, farinha, rapadura, cajuina e doce de caju. 

E talvez mais coisas que agora eu não me lembro, mas quando chegar em Fortaleza, com certeza vou me lembrar!!!

Bjoks. 

Fim de ano mexicano


A "piñata", o "nacimiento", as "posadas", os "reyes magos", as "pastorelas", a "cena de Navidad" e os "villancicos"  são apenas alguns dos costumes implantados no perído do vice-reino. Embora pertençam inteiramente à tradição cristã, adotaram características e elementos indígenas que permanecem até os dias de hoje.



Passei a noite de Natal numa família muito simpática e acolhedora, os Jiménez. Aparentemente a ceia de Natal é parecida à tradição que temos no Brasil, mas as comidas são um pouco diferentes e algumas particularidades marcam esse período.


Bom, a entrada foi um caldinho, logo o peru com seu acompanhamento (que também pode ser recheio) - carne moída com frutas secas - e purê de batatas e para beber rompope/refrigerante/água de jamaica (chamada de chá de hibisco no Brasil) etc.


LAS POSADAS

Uma representação do que passaram José e Maria para que lhes desse pousada e ela desse à luz ao menino Jesus.  Então um grupo vai caminhando de casa em casa cantando algo como: 
En el nombre del cielo, 
os pido posada...
Até que chegam à casa onde vai acontecer a festa e os aceitam, começando as "piñatas", 
comida, música, brincadeiras etc.  Poucas pessoas de fato fazem isso. O mais comum é que as pessoas façam festas em casa e convidem os amigos nos fins de semana de dezembro. 

A origem das "posadas" parece ser do convento de San Agustín de Acolman, onde os monjes agustinos aproveitavam a coincidência das festas cristãs e as dos ritos aztecas, que festejavam o nacimento de sua máxima divindade, o deus Huitzilopochtli. 

LAS PIÑATAS
Tem sua origem na China. Graças a Marco Polo o costume chega à Europa e na Nova Espanha (atual México) , na época colonial, são usadas como chamariz pelos frades franciscamos para atrair os indígenas às festas cristãs, especialmente as crianças.

São usadas em época de Natal e aniversários de crianças. 


Basicamente é um globo de isopor coberto com papel colorido e com 7 pontas - representam os 7 pecados capitais e quebrá-la simboliza aniquilar esses pecados e vencê-los - que as pessoas enchem de guloseimas. Os participantes são vendados e com um pau (geralmente adornado) tentam quebrar a piñata. Mas ela não fica estática, é presa a uma corda e nas duas extremidades tem uma pessoa que balança para dificultar um pouco. Na época de Natal, não só as crianças participam. 


Claro que eu não podia deixar de participar, né?! kkkkk

Enquanto alguém tenta quebrar a piñata, as crianças ficam atentas, porque se um pedaço se quebra e libera doces, elas correm pra pegar, parece um formigueiro. É bem engraçado e divertido. 

Olha eu aí vendada tacando o bastão na piñata!!!

REYES MAGOS
Aqui, na noite do dia 5 de janeiro se parte a Rosca de Reyes que é tomada com chocolate, café ou atole (bebida feita de maizena, tipo cremogema). Nessa noite, as crianças esperam seus tão esperados presentes, pois segundo a tradição local, não é Santa Claus  que os trazem, e sim os reis magos.Mas os pequenos fazem seu pedido de uma maneira especial. Clique aqui. 
No dia 6 de janeiro começou o período letivo nas escolas e
as crianças perguntam umas às outras o que cada um ganhou 
dos reis magos.


Os reis magos me trouxeram um livro lindo com todas as obras de Frida Kahlo.  

Gracias, Dani. :*

Bjoks.
Até a próxima.

Referências: